domingo, 7 de fevereiro de 2010





Meu quarto na rua das hortas que me guardava


Jamais seria Che Guevara
- sou homem de cárceres -
Mas andaria no rumo de suas
Trilhas bolivianas com meus trapos
Morreria no primeiro combate com certo orgulho

No mundo de hoje é difícil morrer com honra
Acabamos nossos dias sentados
Seguros pelas leis que nos seguram
E nos cegam - e nós paramos de pensar

Os revolucionários de hoje são mitos em cavernas


(Eduardo Borges)

sábado, 16 de janeiro de 2010





Vinil





Entrego-me ao jogo,
aos míseros centavos
do tempo,
como uma prostituta
numa noite de carne
e tédio.

26/04/05
Eduardo Borges




Sansara



Corpo,
matéria morta
pelas inquisições
da alma.



10/05/05
Eduardo Borges

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010





O HOJE, DEPOIS DE ONTEM

(para ti, helena)


Eu vi tuas mãos
meu encanto
eu te avistei tão perto
Branca como a
luz do dia
noite como a pele
que se eleva além
do inesperado
O inédito profundo
Campo minado
que o mar das culpas
não nos engula em
sua profundeza de monstros
A beleza de tuas mãos
meu encanto
tua pele em mim
verteu meus pontos cardeias
tudo em cores confusas
nós dois prateados
aqui entre mãos
e este vazio indesejado

Teresina, 17/12/2009
Eduardo borges

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

2010!






Esta é a minha primeira postagem no "ano novo". Escolhi um poema de um terceiro livro, ainda abstrato, para desconfiar das escolhas.



ANDANTE


Prefiro o acaso ao destino das bússolas
O desespero às infelizes certezas catatônicas
Um vento frio percorre os solitários pés das casas
A vida é um perdulário de promessas mórbidas
 
Teresina, 22/12/2009.
 
Eduardo Borges

sexta-feira, 9 de outubro de 2009





Pretendo lançar este ano, ainda, ROTEIRO DO DESAJUSTE. O mundo será o mesmo e sei que ficarei com caixas de livros em casa, mortos pelos cantos. É assim: distribuir constrangido palavras... Lança-se livros por desejo de comunicar algo, uma projeção do ego, do self, de valores e de pedidos de socorro. lança-se.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009


Ilustração de Ricardo Borges
rborges.net



isso que sobra


o nervo exposto


a falta, o degredo


nada do qual


já não fui morto


e enterrado



ricardo borges
rborges.net


segunda-feira, 14 de setembro de 2009





Crucifixo



Esta é a vida –
descoberta lenta
como o passar dos anos.
Enquanto tudo caminha,
na cordilheira ou na
rua estreita da colônia,
penso em mim,
em muitos iguais,
em tantos andares,
em poucos amores sinceros...

Eduardo Borges
20/10/03




Surto




Num pequeno
buraco do muro
esquecido, ao
meu lado, um
inseto protege-se
olhando o enorme
mundo que não é
seu.


13/3/4
Eduardo Borges