Sexta-feira, 3 de Julho de 2009






Olhos no mundo


A lucidez é uma delinqüência social
Estar exposto entre animais e ferro
Ver as flores no mundo que queimam
Ferrugens nas asas do avião cruzando o céu
Coragem em manter-se acordado nas muitas mutilações
Viver sem as fugas dos líquidos e dos pós inebriantes
Uma fera entre homens armados

A Consciência é a loucura incompreendida

Teresina, 11/04/08
Eduardo Borges

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

r e le i tu r a





William Shakespeare:


"Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido,
quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito,
mas para mostrar que são amigos.
Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer
maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”


eu, depois de injetar William Shakespeare:

Afinal

Aprendo com dificuldade a lógica da vida
E mal falo do amor por não saber vivê-lo
Por não ter critérios nem livros sem letras: sigo a racionalidade
Meu peito é terreno baldio, terra de ninguém
Não se entra e não se sai
É prisão sem chave porta aviso cadeado quebrado
Aprendo sem final, afinal

Terça-feira, 2 de Junho de 2009






Habitat




Homens são folhas secas
Em cidades desertos povoados
Vendavais de areia acariciam
Faces duras dunas edifícios montanhosos

Teresina, 13/2/08
Eduardo Borges

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009




O rio das ilhas


Da ponte que separa
As cidades partes de mim,
Chegam as imagens
Turvas de águas submersas.
O Parnaíba vindo de longe,
Como um ateu perdido e desolado,
Expõe-se entre ilhas vulcânicas,
Tumores em seu tecido heterogêneo,
Terras e florestas que emergem
Dos muitos afogados esquecidos
Em suas margens espectrais.
Assemelhamo-nos, não na grandeza,
Mas na pequenez do átomo, no submisso,
No ser atingido sem saber reagir.
Eu, o rio, as ruas, as pessoas e seus pés,
Somos igualmente degeneração.

Teresina, 07/03/08
Eduardo Borges

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009





E S C R E V E R

E stado
S urreal.
C oncreto.
R uas.
E squivas
V icerais.
E ntrelinhas
R uminantes.


Teresina, 25/02/08.
Eduardo Borges

PALAVRA




Código





Eu amo a palavra
O sopro da boca
Cada sentido codificado
Riscado
Em sílabas ditas e malditas

Eu vivo conjugações
Verbos e vermes dos papéis
O risco
Os não’s e os sim’s das contradições

Uma letra somando-se a outra
O nome das coisas
O silêncio impresso
Os dicionários de bolsos velhos
E tudo que traduz o mundo

26/03/07
Eduardo Borges
Teresina

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Em tuas margens de novo





Deito em tuas praias
“oh minha cidade”
às três da tarde
cercados pelas
dunas amareladas
que já se foram
- agora tudo é deserto -
e engulo teu mar azul
engulo-o todo
toda água suja de óleo estrangeiro
de gente nascida dos confins
de tuas entranhas cheias de veleidade
de pontos cardeais perdidos
os portugueses não virão mais
levar nossas almas
nem os dejetos dos navios
que seguiam rumo ao teu porto
seguiam e já não seguem
que dormiam embaixo de um céu
enfadonho sem lua e sem sal
- já não dormem os navios -
eu bebo tuas águas
águas que foram de Portugal
teu banzeiro de ouro branco
a urina vertida entre as brincadeiras
dos meninos que vencem as ondas
entre chutes e mergulhos insanos
as mil e uma águas-vivas
e seus fios azuis que ainda queimam
minhas pernas atiradas na poeira fina
meu rosto nesta noite distante
deitado em tuas praias
engole todo o oceano
e me liberta
“oh minha cidade”

Teresina, 13/05/2009
eduardo borges

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

..............M O N Ó L O G O..............




Eu me pergunto,
nos dias de chuva,
tempestade e sossego,
onde estará o último suspiro,
a saída dos becos de São Luís,
aquela escada do colégio de minha juventude,
a moça que vendia compotas de doces,
o vento da praia em meu peito,
a monotonia das conversas,
- todas elas inúteis,
nas calçadas
mortas.
Eu me pergunto
neste dia de chuva
tempestade e
morbidez.

Teresina,
Eduardo Borges
17/04/09

Sábado, 18 de Abril de 2009

Nos Mapas Nos mares





A poesia contrapõe-se a este mundo louco, denunciando-o, cantando suas incongruências, dizendo deboches na beleza da tinta. O mundo é escravidão e nos servimos dele e de suas caravelas sequestradora de almas. Os navios negreiros, nosso mundo...


Caravelas


Os escravagistas ainda cruzam
Mares em seus navios velozes
Caravelas, submarinos, balsas
Feitas por mãos que se entregam
Ao domínio de outros reis em fuga
Os navios negreiros sobreviveram
Aos séculos cruzando os mapas


Teresina, 18/04/08
Eduardo Borges

Terça-feira, 7 de Abril de 2009





FOLHAS DE CONCRETO




Minha cidade carnaúba
- um verde claro amarelo de vegetação rasteira

Minha cidade Rio
- O Monge Da Costa e Silva

Minha cidade angústia
- Geléia Geral

Minha cidade coluna
- uma avenida divide o norte do sul

Cidade Louca
- Meduna prisão esquecida

Cidade pouca
- faltam saídas para os descaminhos

Minha Teresina, a cidade avizinha
- ainda se escuta o apito da velha usina


28/04/08
Eduardo Borges