quarta-feira, 13 de maio de 2009

Em tuas margens de novo





Deito em tuas praias
“oh minha cidade”
às três da tarde
cercados pelas
dunas amareladas
que já se foram
- agora tudo é deserto -
e engulo teu mar azul
engulo-o todo
toda água suja de óleo estrangeiro
de gente nascida dos confins
de tuas entranhas cheias de veleidade
de pontos cardeais perdidos
os portugueses não virão mais
levar nossas almas
nem os dejetos dos navios
que seguiam rumo ao teu porto
seguiam e já não seguem
que dormiam embaixo de um céu
enfadonho sem lua e sem sal
- já não dormem os navios -
eu bebo tuas águas
águas que foram de Portugal
teu banzeiro de ouro branco
a urina vertida entre as brincadeiras
dos meninos que vencem as ondas
entre chutes e mergulhos insanos
as mil e uma águas-vivas
e seus fios azuis que ainda queimam
minhas pernas atiradas na poeira fina
meu rosto nesta noite distante
deitado em tuas praias
engole todo o oceano
e me liberta
“oh minha cidade”

Teresina, 13/05/2009
eduardo borges

quinta-feira, 7 de maio de 2009

..............M O N Ó L O G O..............




Eu me pergunto,
nos dias de chuva,
tempestade e sossego,
onde estará o último suspiro,
a saída dos becos de São Luís,
aquela escada do colégio de minha juventude,
a moça que vendia compotas de doces,
o vento da praia em meu peito,
a monotonia das conversas,
- todas elas inúteis,
nas calçadas
mortas.
Eu me pergunto
neste dia de chuva
tempestade e
morbidez.

Teresina,
Eduardo Borges
17/04/09

sábado, 18 de abril de 2009

Nos Mapas Nos mares





A poesia contrapõe-se a este mundo louco, denunciando-o, cantando suas incongruências, dizendo deboches na beleza da tinta. O mundo é escravidão e nos servimos dele e de suas caravelas sequestradora de almas. Os navios negreiros, nosso mundo...


Caravelas


Os escravagistas ainda cruzam
Mares em seus navios velozes
Caravelas, submarinos, balsas
Feitas por mãos que se entregam
Ao domínio de outros reis em fuga
Os navios negreiros sobreviveram
Aos séculos cruzando os mapas


Teresina, 18/04/08
Eduardo Borges

terça-feira, 7 de abril de 2009





FOLHAS DE CONCRETO




Minha cidade carnaúba
- um verde claro amarelo de vegetação rasteira

Minha cidade Rio
- O Monge Da Costa e Silva

Minha cidade angústia
- Geléia Geral

Minha cidade coluna
- uma avenida divide o norte do sul

Cidade Louca
- Meduna prisão esquecida

Cidade pouca
- faltam saídas para os descaminhos

Minha Teresina, a cidade avizinha
- ainda se escuta o apito da velha usina


28/04/08
Eduardo Borges

segunda-feira, 6 de abril de 2009






 


na.loucura.sentir.será
agora.um.mapa.sem
estrada.sigo.aqui.e.lá
aonde.quer.que.eu.vá
sumir.na.beira.do.que.já
nem.sequer.é.porque
sentir.é.um.mapa
na.beira.da.loucura.já
nem.sigo.porque.agora
aonde.quer.que
eu.vá.um.mapa
sequer.será


sumir


Ricardo Borges
www.rborges.net





Ricardo Borges
www.rborges.net

é
que


às
vezes


me
finjo


de
vivo


 


ricardo borges



Ricardo Borges
www.rborges.net




Ponto torto




O meu porto seguro é a loucura
A temível sanidade transcendente
Sítio dos medos sem sentido

O meu porto seguro está onde outros se perdem facilmente
E eu me acho cada vez mais forte e intenso

Lúcida é a loucura
Porta para a consciência de quem sou

07/01/07
Eduardo Borges

sábado, 4 de abril de 2009

Directcion Home




Ando por duas cidades. Uma perdida num tempo que esqueci e que volta em imagens fluidas. Outra onde vivo minhas horas. Somos cidades, todos nós. Eu de volta às minhas casas, aqui e lá.


Direction home



Volto à cidade
Onde vivo
Seus dentes para cima
Arvoredos secos e velhos
Carros retorcidos em
Avenidas retas
Norte, Sul, Leste, soldados volvei!
O rio é uma sangria a oeste.
Houvesse um gigante, estes prédios
Seriam incômodos espinhos para os seus pés
Eu seria ainda uma formiga
Não fosse este vento quente
Faltasse este calor
Minha cidade seria estrangeira
E eu não falaria este português arrastado
Eu iria para Pasárgada.


Eduardo Borges
Teresina