domingo, 2 de agosto de 2009




Hemofílico




Meu sangue
Escorre monotonia
Ondas de calor
Asfalto de uma avenida
Perdida

Eduardo Borges
(Teresina-PI)
11/12/07

Na Paulista





Queria ser como
O homem sentado
No Jardim das Flores
Na Paulista em sua consciência
O tempo atrás
Inerte insone
Alheio ao vento
Ao barulho dos carros
Rindo para o nada.


17/10/06
Eduardo Borges

domingo, 19 de julho de 2009








Ricardo Borges
rborges.net


bicho-eu




ainda o mesmo

e aos poucos o

que de mim

se move e

assombra

este bicho que

sou e desconheço


Ricardo Borges
rborges.net


sexta-feira, 3 de julho de 2009






Olhos no mundo


A lucidez é uma delinqüência social
Estar exposto entre animais e ferro
Ver as flores no mundo que queimam
Ferrugens nas asas do avião cruzando o céu
Coragem em manter-se acordado nas muitas mutilações
Viver sem as fugas dos líquidos e dos pós inebriantes
Uma fera entre homens armados

A Consciência é a loucura incompreendida

Teresina, 11/04/08
Eduardo Borges

terça-feira, 23 de junho de 2009

r e le i tu r a





William Shakespeare:


"Aprendi que as palavras de amor perdem o sentido,
quando usadas sem critério.
E que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito,
mas para mostrar que são amigos.
Aprendi que certas pessoas vão embora da nossa vida de qualquer
maneira, mesmo que desejemos retê-las para sempre.
Aprendi, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que acredito.”


eu, depois de injetar William Shakespeare:

Afinal

Aprendo com dificuldade a lógica da vida
E mal falo do amor por não saber vivê-lo
Por não ter critérios nem livros sem letras: sigo a racionalidade
Meu peito é terreno baldio, terra de ninguém
Não se entra e não se sai
É prisão sem chave porta aviso cadeado quebrado
Aprendo sem final, afinal

terça-feira, 2 de junho de 2009






Habitat




Homens são folhas secas
Em cidades desertos povoados
Vendavais de areia acariciam
Faces duras dunas edifícios montanhosos

Teresina, 13/2/08
Eduardo Borges

segunda-feira, 18 de maio de 2009




O rio das ilhas


Da ponte que separa
As cidades partes de mim,
Chegam as imagens
Turvas de águas submersas.
O Parnaíba vindo de longe,
Como um ateu perdido e desolado,
Expõe-se entre ilhas vulcânicas,
Tumores em seu tecido heterogêneo,
Terras e florestas que emergem
Dos muitos afogados esquecidos
Em suas margens espectrais.
Assemelhamo-nos, não na grandeza,
Mas na pequenez do átomo, no submisso,
No ser atingido sem saber reagir.
Eu, o rio, as ruas, as pessoas e seus pés,
Somos igualmente degeneração.

Teresina, 07/03/08
Eduardo Borges

sexta-feira, 15 de maio de 2009





E S C R E V E R

E stado
S urreal.
C oncreto.
R uas.
E squivas
V icerais.
E ntrelinhas
R uminantes.


Teresina, 25/02/08.
Eduardo Borges

PALAVRA




Código





Eu amo a palavra
O sopro da boca
Cada sentido codificado
Riscado
Em sílabas ditas e malditas

Eu vivo conjugações
Verbos e vermes dos papéis
O risco
Os não’s e os sim’s das contradições

Uma letra somando-se a outra
O nome das coisas
O silêncio impresso
Os dicionários de bolsos velhos
E tudo que traduz o mundo

26/03/07
Eduardo Borges
Teresina