quarta-feira, 20 de abril de 2011




pousa no ar
a estética da
cidade
quem a vê?
Qual de nós
terráqueos
entre pedras e
argamassas
arames e ferros
retorcidos...
… qual de nós
gente entre
desiguais
é capaz de
entender a
a divisão das
ruas indivisas
o monstro
que nos
separou em
pessoas?

eduardo borges
Teresina, 20.04.2011




BUEIRO
ei-lo posto ao chão
vácuo árduo
discreta boca
sem dentes
fechada
aberta
às águas
ponto obscuro
traquéia ácida
para onde seguem
as pessoas e suas sombras
(nossos pés nas
noites perdidas?)

eduardo borges
Teresina, 18.04.2011.

domingo, 13 de março de 2011





Seguindo uma estranha lei da física

No mais das vezes a felicidade costuma

Não ocupar dois lugares ao mesmo tempo


(Eduardo Borges

Teresina -11.03.2011)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011







Das paredes que falam



A senhora das culpas
Atravessa o corredor taciturna.
O muitos anos teceram cinzas
Em seus olhos de mar turbulento.


Eduardo Borges
Teresina, 07/02/2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011






Vivo minhas horas sem pensar muito
Algo automático move o tempo que rodeia
Gosto de saber que pulso ainda que inconsciente
O mais é floresta, guerras, revoltas e levantes da alma

Eduardo Borges
Teresina, fev/2011

sábado, 29 de janeiro de 2011






eu perdido em mim

outro dia outra hora

o mesmo corpo morto

o quê há de mim agora


eu e tu, nós e vós

amanhã na mesma hora

outro corpo outro eu

o quê de mim foi embora


Eduardo Borges
(15/10/2010)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010




Eu te disse mil vezes
que desconhecia a vida
e mil vezes desconfiastes
que mentia

(Eduardo Borges -
novembro de 2010
Teresina)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010




quero não ter medo
quero nunca temer dizer
qualquer palavra solta
ou viver as poucas horas
do dia

Eduardo Borges
Teresina, 08.11.10

domingo, 26 de setembro de 2010





No Cerrado





Na chapada do curisco
A lua é grande e cheia
Invade a cidade morta
E todos dormem profunda-
mente



Eduardo Borges
Teresina
26/09/2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010







DEMÊNCIA



Perdi a palavra
Num canto da casa
Na esquina, na rua
Na madrugada que
Nunca acaba

Eduardo Borges
Teresina, 23/09/2010