segunda-feira, 6 de abril de 2009






 


na.loucura.sentir.será
agora.um.mapa.sem
estrada.sigo.aqui.e.lá
aonde.quer.que.eu.vá
sumir.na.beira.do.que.já
nem.sequer.é.porque
sentir.é.um.mapa
na.beira.da.loucura.já
nem.sigo.porque.agora
aonde.quer.que
eu.vá.um.mapa
sequer.será


sumir


Ricardo Borges
www.rborges.net





Ricardo Borges
www.rborges.net

é
que


às
vezes


me
finjo


de
vivo


 


ricardo borges



Ricardo Borges
www.rborges.net




Ponto torto




O meu porto seguro é a loucura
A temível sanidade transcendente
Sítio dos medos sem sentido

O meu porto seguro está onde outros se perdem facilmente
E eu me acho cada vez mais forte e intenso

Lúcida é a loucura
Porta para a consciência de quem sou

07/01/07
Eduardo Borges

sábado, 4 de abril de 2009

Directcion Home




Ando por duas cidades. Uma perdida num tempo que esqueci e que volta em imagens fluidas. Outra onde vivo minhas horas. Somos cidades, todos nós. Eu de volta às minhas casas, aqui e lá.


Direction home



Volto à cidade
Onde vivo
Seus dentes para cima
Arvoredos secos e velhos
Carros retorcidos em
Avenidas retas
Norte, Sul, Leste, soldados volvei!
O rio é uma sangria a oeste.
Houvesse um gigante, estes prédios
Seriam incômodos espinhos para os seus pés
Eu seria ainda uma formiga
Não fosse este vento quente
Faltasse este calor
Minha cidade seria estrangeira
E eu não falaria este português arrastado
Eu iria para Pasárgada.


Eduardo Borges
Teresina

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Adiando livro

A publicação do ROTEIRO DO DESJUSTE foi adiada, a quem interessar possa. Claro que escrevo este fato para mim mesmo (sempre escrevo para mim mesmo!), como uma forma de digerir a frustração. Falta grana. Tinha pensado um projeto visual interessante. Agora é esperar para publicar mais um livro que não será lido. Por enquanto vou postando alguns poemas do trabalho aqui:


Cartografia dos medunas

Pego a caneta e rabisco
A geografia do poema
É mesma do globo
Uma palavra é relevo
Conceitos imperialistas
Todos escrevem diferente
Sou brasileiro e estrangeiro
No sul se é pobre
O Norte é acima
Parágrafos são continentes
Os dicionários falam de política
O homem é população
Reconstruo a geografia dos mapas
Os homens em diversas cores
Palavras fronteiriças
Guerra de nervos
Pego a caneta e divido o território
O sofrimento está nos mapas
Passo a régua entre a pobreza e os ricos
Nas diversas Américas
O poema é em si um país

Teresina, 17/04/08
Eduardo Borges

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

No dia Internacional das mulheres devemos lembrar que as diferenças de gênero quase nunca são vistas no seu sentido positivo, ou seja, geradoras de cidadania. Todavia, é na diferença que está a riqueza da vida. Há pouco tempo mulheres não votavam. Em cada canto do mundo homens agredindo suas companheiras protegidos pela cultura machista. Um dia festivo no mundo das distinções. Lembrando das diferenças, segue esta poesia, nesta data tão contraditória (no Brasil os homens recebem salários em média de 34% maiores que as mulheres em situação igualdade laboral: a maior entre os países pesquisados pela Federação Internacional dos Trabalhadores):


Dos odores e das flores



Passa o vulto de mulher desfilando na Europa de botas
- “Onde estás, Dolores, que teus filhos pedem comida na solidão da casa?”

Caminha em altar a nobre loira em sua fantasia de neve
-“E tu, Antônia, que ainda desenha o verde da roça a esta hora, depois do sol?”

O perfume feminino, decerto vindo de França, perturba os sentidos
-“Quando te sentes mulher, Violeta que lava as roupas no Rio Paranaíba com mãos brutas?”

O narcisismo doentio das lindas burguesas vestidas em peles de animais extintos
-“Maria, corre armada que a caça fugidia alimentará tuas crias e hoje só tem farinha na mesa!”

Passa a beleza, segue a fome, caminham mulheres em mundos tão distintos e belos
- “Camponesa de rara coragem, pés de barro, mãos de aço, a revolução ainda está em ti!”

Eduardo Borges
Barcelona

quinta-feira, 5 de março de 2009

Minha terra além da noite

Esta poesia, que estará no livro ROTEIRO DO DESAJUSTE, esteve na final do POEMARÁ, e refere a meu laço louco com São Luís:


Minha terra além da noite

O tambor
A crioula rodando
Mãos acariciando a pele
do boi morto que ainda urra
Minha mente confusa firme esmurra
o chão centenário
Um cheiro de álcool e fumaça cruza
transes levantando saias por detrás
dos mudos rosários
Casarões dançam entre pés descalços
Tudo penso e tanto faz

Minha terra tem batuque onde cantam os Orixás

(Eduardo Borges)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Noturno





Ilustração de Ricardo Borges

www.rborges.net