domingo, 15 de maio de 2011

A MINHA PARTE EM TUA NUDEZ

Em teus olhos cabe o mundo
todas as cores humanas
entre o branco e o castanho
do teu corpo nu

Em teus olhos cabe o mundo
a inconsciente dor das ausências
eu não existo em ti:
sou a sombra do teu corpo nu

Em teus olhos cabe o mundo
e não vês as tortuosas curvas
que te cercam e me matam
ao lado do teu corpo nu

eduardo borges
barcelona, 10/03/2010

domingo, 1 de maio de 2011

OMISSÃO






Calar-se
é matar a palavra
que brota
na hora da
alma.

Sangrá-la
entre os dentes já

desgastados
pelo
tempo.



A palavra
- signo invisível -

não morre,
apenas desa-
parece
dos
ouvidos
para em nossas
mentes
vibrar
como
um
sino,

uma sina.


Mato a palavra
Num canto do mundo,

surdo
aos clamores,

curto de compaixão,
curdo entre montanhas –

Fixo a mira
e atinjo o poema

antes de macular o mundo,

prestes a vomitá-lo
no banheiro
da casa.

(03.08.02)
Eduardo Borges

quarta-feira, 20 de abril de 2011

EU





a cada dia
a cada hora
um minuto
me afoga

eduardo borges
Barcelona, 10.03.2010



pousa no ar
a estética da
cidade
quem a vê?
Qual de nós
terráqueos
entre pedras e
argamassas
arames e ferros
retorcidos...
… qual de nós
gente entre
desiguais
é capaz de
entender a
a divisão das
ruas indivisas
o monstro
que nos
separou em
pessoas?

eduardo borges
Teresina, 20.04.2011




BUEIRO
ei-lo posto ao chão
vácuo árduo
discreta boca
sem dentes
fechada
aberta
às águas
ponto obscuro
traquéia ácida
para onde seguem
as pessoas e suas sombras
(nossos pés nas
noites perdidas?)

eduardo borges
Teresina, 18.04.2011.

domingo, 13 de março de 2011





Seguindo uma estranha lei da física

No mais das vezes a felicidade costuma

Não ocupar dois lugares ao mesmo tempo


(Eduardo Borges

Teresina -11.03.2011)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011







Das paredes que falam



A senhora das culpas
Atravessa o corredor taciturna.
O muitos anos teceram cinzas
Em seus olhos de mar turbulento.


Eduardo Borges
Teresina, 07/02/2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011






Vivo minhas horas sem pensar muito
Algo automático move o tempo que rodeia
Gosto de saber que pulso ainda que inconsciente
O mais é floresta, guerras, revoltas e levantes da alma

Eduardo Borges
Teresina, fev/2011

sábado, 29 de janeiro de 2011






eu perdido em mim

outro dia outra hora

o mesmo corpo morto

o quê há de mim agora


eu e tu, nós e vós

amanhã na mesma hora

outro corpo outro eu

o quê de mim foi embora


Eduardo Borges
(15/10/2010)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010




Eu te disse mil vezes
que desconhecia a vida
e mil vezes desconfiastes
que mentia

(Eduardo Borges -
novembro de 2010
Teresina)