Esta poesia, que estará no livro ROTEIRO DO DESAJUSTE, esteve na final do POEMARÁ, e refere a meu laço louco com São Luís:
Minha terra além da noite
O tambor
A crioula rodando
Mãos acariciando a pele
do boi morto que ainda urra
Minha mente confusa firme esmurra
o chão centenário
Um cheiro de álcool e fumaça cruza
transes levantando saias por detrás
dos mudos rosários
Casarões dançam entre pés descalços
Tudo penso e tanto faz
Minha terra tem batuque onde cantam os Orixás
(Eduardo Borges)
quinta-feira, 5 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Em 2009
Um ano após SUSSURROS estou lançando outro livro de poesias chamado ROTEIRO DO DESAJUSTE, que nasceu de um projeto baseado nas idéias de mapas e dos "roteiros" que nos invadem a cada dia nesta sociedade louca. A imagem do "bueiro" como "retrato do inconsciente coletivo urbano" perpassa o trabalho. Qual o mapa das misérias humanas? Onde conceituamos os desajustes a um mundo doente? Não espero boa aceitação. Sigo na linguagem carregada, presa e livre.
domingo, 29 de junho de 2008
VOLTO A FALAR
Não tenho postado palavras no blog do SUSSURROS. Até que tenho pensado em escrever, mas deixo que passe. O livro, um mosaico do tempo, me proporcionou momentos incríveis, que não tenho sabido analisar bem. Uma hora destas saberei. Estou envolvido no término de outros trabalhos e, de certa forma, imagino que o caminho de publicações alternativas é a morte lenta. A morte, um tema recorrente no meu trabalho. Vai aqui uma lembrança muito legal: minha participação no SaLiPi. Agradecimento ao professor Romero. Alguns apoios; outras críticas veladas. Muito silêncio – a pior expressão para um autor. Eu ainda sussurro SUSSURROS.
Indo
Aos poucos me
vou perdendo,
retendo,
como um dique,
que prende e perde
o mundo - um mundo que não entendo.
Sou uma poça
de ramos nervos,
como uma esponja
gorda d’água
e sabão.
Sucumbi aos conceitos,
perdendo-me, retendo-me,
num dique,
no mundo
cão.
(Eduardo Borges)
Etéreo
A angústia não tem
pêlos nem olhos.
Ela rasteja entre nossos
pés como areia
movediça.
(Eduardo Borges)
Descaso
O sol mata
aos poucos o
trabalhador –
em translações e
rotações (imperceptíveis) –
em seu cansaço de e s p e r a n ç a,
no caixote sujo
que é almofada
para seu
descanso.
(Eduardo Borges)
Entre mundos
Teresina, minha mãe adotiva,
Tuas pontes são braços
Que me acolhem sobre o rio abandonado
Meu novo coração enterro aqui em tuas vestes
Deixo o resto do corpo para de ti ir e vir
Como cigano profano
Andarilho entre mundos de calor
(Eduardo Borges)
Indo
Aos poucos me
vou perdendo,
retendo,
como um dique,
que prende e perde
o mundo - um mundo que não entendo.
Sou uma poça
de ramos nervos,
como uma esponja
gorda d’água
e sabão.
Sucumbi aos conceitos,
perdendo-me, retendo-me,
num dique,
no mundo
cão.
(Eduardo Borges)
Etéreo
A angústia não tem
pêlos nem olhos.
Ela rasteja entre nossos
pés como areia
movediça.
(Eduardo Borges)
Descaso
O sol mata
aos poucos o
trabalhador –
em translações e
rotações (imperceptíveis) –
em seu cansaço de e s p e r a n ç a,
no caixote sujo
que é almofada
para seu
descanso.
(Eduardo Borges)
Entre mundos
Teresina, minha mãe adotiva,
Tuas pontes são braços
Que me acolhem sobre o rio abandonado
Meu novo coração enterro aqui em tuas vestes
Deixo o resto do corpo para de ti ir e vir
Como cigano profano
Andarilho entre mundos de calor
(Eduardo Borges)
domingo, 25 de maio de 2008
Homenagem ao Poeta H.Dobal
AO POETA, SEM PRESSÁGIOS
A poesia Piauiense, forte e densa, teve em Hindemburgo Dobal Teixeira um dos seus maiores representantes. Conhecido nacionalmente, H.Dobal construiu uma poesia comprometida com as pessoas e o mundo em que viveu. Obras como “O DIA SEM PRESSÁGIOS” e “TEMPO CONSEQÜÊNTE” evidenciam sua posição de vanguarda. O poeta, membro da Academia Brasiliense de Letras, nos deixou aos 80 anos. A este homem da nossa história, minhas palavras:
Aquele que fez a obra
Morre o poeta
H. Dobal
Entre a biblioteca
De seus poemas
Assim diz o Diário
Que o povo não lê
Foi-se o corpo
Ficam as letras
Eis o dito trocadilho
H. Dobal falou do
Campo e da terra
Dos muitos homens
Que somos em fonemas
De arte sólida e real
“Diz a Assembléia Legislativa
Que o corpo está ali! sem
Saber que poeta não se
Prende aos cantos de madeira”
Disse o Jornal – não diz mais –
Que o poeta morreu
Mas quem se torna palavra
Não cabe em chão nenhum
Só em mentes e bocas
Corações sedentos
Está nas folhas do mural
Morre H. Dobal
Que ainda nos mostra
O mundo fenômeno
A vida sertaneja
Um muito de nosso povo
O poeta é sempre mortal.
(Eduardo Borges)
A poesia Piauiense, forte e densa, teve em Hindemburgo Dobal Teixeira um dos seus maiores representantes. Conhecido nacionalmente, H.Dobal construiu uma poesia comprometida com as pessoas e o mundo em que viveu. Obras como “O DIA SEM PRESSÁGIOS” e “TEMPO CONSEQÜÊNTE” evidenciam sua posição de vanguarda. O poeta, membro da Academia Brasiliense de Letras, nos deixou aos 80 anos. A este homem da nossa história, minhas palavras:
Aquele que fez a obra
Morre o poeta
H. Dobal
Entre a biblioteca
De seus poemas
Assim diz o Diário
Que o povo não lê
Foi-se o corpo
Ficam as letras
Eis o dito trocadilho
H. Dobal falou do
Campo e da terra
Dos muitos homens
Que somos em fonemas
De arte sólida e real
“Diz a Assembléia Legislativa
Que o corpo está ali! sem
Saber que poeta não se
Prende aos cantos de madeira”
Disse o Jornal – não diz mais –
Que o poeta morreu
Mas quem se torna palavra
Não cabe em chão nenhum
Só em mentes e bocas
Corações sedentos
Está nas folhas do mural
Morre H. Dobal
Que ainda nos mostra
O mundo fenômeno
A vida sertaneja
Um muito de nosso povo
O poeta é sempre mortal.
(Eduardo Borges)
sábado, 19 de abril de 2008
A solidão dos Livros
A falta de um mercado editorial de poesia consolidado no nosso país dificulta muito a avaliação qualitativa da produção existente. Na realidade, as publicações alternativas, em fanzines, revistas bancadas pelos próprios autores, e, hoje em dia, em Bolg’s e Sites (internet), acabam por não ter a força de constituir um caminho para a profissionalização. Tudo muito nivelado (muitas vezes por baixo) e sem critérios. Claro que todos os espaços devem ser fortificados como opção literária e até como “lugar” para apresentação de trabalhos e poetas. É o mínimo que se espera de uma sociedade plural. Até a ausência de crítica séria e mais ampla faz falta (aí teríamos de discutir o que é uma “crítica séria”, “quem está autorizado”, etc.).
De regra, para lançar um livro, as pessoas usam recursos próprios, ou entram em projetos do Estado, dentre outras formas. Mas como divulgar e distribuir uma obra produzida pelo próprio autor? A solidão do livro não lido.
Observamos escritores com pilhas de livro em casa, em prateleiras de livrarias, num processo desestimulante. Quem compra livros de poesia?
Coloquemos este assunto na pauta do dia.
Eduardo Borges
domingo, 13 de abril de 2008
Teresina, meu sussurro abstrato
(Nosferato ou Gueto)
/Caiu um curisco na mata
Ao redor da cidade
Com seus semáforos
Trilhos e trilhas/
/Caiu um curisco
Na cidade morta
Pelo Nosferato/
/Um raio lento em preto e branco
Sob a ponte metálica/
/Um curisco cangaço/
/Vampiro em noite indigente
Nos quadrantes da Pompéia
Teresinense/
(Eduardo Borges)
.............................................................
Tudo gira impune
A tarde segue lentamente
Como a aurora atrasada
De uma noite que se
Apressa em nascer.
Sigo eu, perdido no inconsciente,
Sem identidade ou memória.
Ao meu lado, tudo gira impune...
(Eduardo Borges )
......................................
Narciso
Coloque-se: o
lugar é o outro;
o outro é
o oposto;
opressão e
espelho;
espera e desejo;
a raiva e
compulsão.
(Eduardo Borges)
(Nosferato ou Gueto)
/Caiu um curisco na mata
Ao redor da cidade
Com seus semáforos
Trilhos e trilhas/
/Caiu um curisco
Na cidade morta
Pelo Nosferato/
/Um raio lento em preto e branco
Sob a ponte metálica/
/Um curisco cangaço/
/Vampiro em noite indigente
Nos quadrantes da Pompéia
Teresinense/
(Eduardo Borges)
.............................................................
Tudo gira impune
A tarde segue lentamente
Como a aurora atrasada
De uma noite que se
Apressa em nascer.
Sigo eu, perdido no inconsciente,
Sem identidade ou memória.
Ao meu lado, tudo gira impune...
(Eduardo Borges )
......................................
Narciso
Coloque-se: o
lugar é o outro;
o outro é
o oposto;
opressão e
espelho;
espera e desejo;
a raiva e
compulsão.
(Eduardo Borges)
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Palavra do autorSUSSURROS é para mim o início. Nasceu depois que rompi com os pudores de um neófito, após mais de uma década sobre o papel. Com ele não me sinto um poeta. Sei apenas que dei um passo rumo à exposição de minha vida, o que é a minha proposta. Acredito na democracia da arte e procuro vê-la em tudo, da minha forma. Olhar uma pessoa desenhar um poema é maravilhoso. Quem dera todos escrevessem poemas! Todavia, creio que para ser poeta não basta a auto-definição. Ë preciso muito mais, quase sempre uma vida toda. Um livro é pouco: pode ser um acaso. Uma obra é seu conjunto; um escritor, suas muitas obras. Espero um dia ter livros, muitos deles, que me habilitem a ser chamado de poeta. E espero que neste dia eu ainda não me sinta nada.
SUSSURROS é para mim o meu início.
Eduardo Borges (São Luís/Teresina)
SUSSURROS é para mim o meu início.
Eduardo Borges (São Luís/Teresina)
terça-feira, 1 de abril de 2008
Lançamento do Livro na Ilha
O lançamento do livro SUSSURROS em São Luís contou com a presença de muitas pessoas do meio artístico e de apreciadores de atividades culturais. A livraria POEME-SE, situada no PROJETO REVIVER, concedeu ao evento um clima informal e rico de manifestações. Poemas declamados nas escadas e por vozes que percorriam o salão. Um agradecimento especial para ANA BORGES, JOSÉLIO ALVES, LUISA DI CONSULIN (minha sobrinha querida e braço direito), JONILSON BRUZACA, ZINA NICÁCIO, MARISA BORGES e RIBA (sem esquecer as dezenas de pessoas que deram as mãos na hora certa). Agradecimentos especiais às artistas ROMANA e KÁTIA DIAS. Confira abaixo algumas fotos da noite.
sexta-feira, 28 de março de 2008
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